Crônica em homenagem ao amor

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E de repente surgiu o amor
Não foi procurado, nem havia o cio desesperado da paixão
E de repente surgiu o amor
E com ele toda uma nova gama de cheiros e sensações
Tão ricos e inebriantes que me deixaram tonta
E de repente surgiu o amor
E as novas possibilidades de relações
E de repente surgiu o amor
Tão intenso que nem me deixou em pé, me afogando em indistintas ondas de alegria e dor
E de repente surgiu o amor
Que me deixou frágil como um molusco sem a concha
E me fez queimar no sol até que meu corpo transcendesse
O que eu já conhecia de mim mesma
E de repente apareceu você, amor
Que castigou minha calma e revirou meu estômago,expondo todas as minhas feias entranhas
e então eu tive que encará-las todas porque o amor
é um algoz cruel
Entrei fundo no teu labirinto ( que também é o meu)
e muitas vezes perdi a consciência de quem e por quê
Já não importava mais o fim
Mas apenas o ritual de queimar em tua pira minhas tolas verdades
E de repente, amor
Soprou a brisa, que se fez leve , doce e incerta
minhas cinzas libertas das bobagens chamadas tempo e espaço
e nesse nada-tudo eu estou
me multicelulando de novo
ser mutante, se recompondo em tantas partes e pedaços e tudo isso porque você, amor, surgiu.

adriana gaeta braga
Acre, agosto 2013

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